O medo do crime nas redes sociais e seus reflexos nas políticas criminais
Palavras-chave:
Fake News, Medo, Política CriminalResumo
O presente artigo analisa criticamente a influência das fake news na formulação e aplicação das políticas criminais no Brasil contemporâneo, destacando o papel central das mídias digitais na construção simbólica do medo e na legitimação de práticas penais autoritárias. A partir de uma abordagem indutiva e do uso da técnica de pesquisa bibliográfica, investiga-se como a disseminação massiva de desinformação — impulsionada por algoritmos e bolhas informacionais — tem reconfigurado o imaginário social sobre a criminalidade. Nessa lógica, as fake news não apenas desinformam, mas operam como instrumentos estratégicos de manipulação afetiva, fomentando emoções primárias como o medo, a raiva e o desejo de punição. Essa mobilização emocional influencia diretamente o comportamento político-legislativo, favorecendo o endurecimento de leis penais e o fortalecimento de discursos populistas. O medo, compreendido como afeto político, é instrumentalizado para justificar a ampliação do poder punitivo e a exclusão simbólica de sujeitos considerados “inimigos” da ordem. Ao abordar também o impacto do medo na produção legislativa, o artigo evidencia como o sistema penal é mobilizado em resposta a pressões sociais desinformadas, convertendo-se em ferramenta de segregação. Conclui-se que, ao se submeter à lógica da desinformação e do pânico moral, o Estado compromete os fundamentos garantistas do Direito Penal e enfraquece o projeto democrático, legalizando práticas discriminatórias sob o pretexto da segurança
pública.