UMA REVISÃO ACERCA DAS CONTROVÉRSIAS DAS PLATAFORMAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO PÚBLICA A PARTIR DA PERSPECTIVA CRÍTICA DOS ESTUDOS CTS
Palavras-chave:
Plataformização da educação, uberização do trabalho, vigilância de dados, neoliberalismo, educação CTSResumo
Este artigo pretende explorar o tema da plataformização da educação como consequência da implementação de escolhas políticas advindas um discurso colonialista. Para alcançar os objetivos dessa produção foi realizada, inicialmente, uma revisão exploratória a fim de investigar os efeitos e controvérsias das plataformas digitais na educação, além de relacionar tais implementações com o fenômeno da uberização do trabalho, e às mudanças no ofício do professor, sob a ótica crítica da CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade). Os artigos selecionados foram fichados e classificados de acordo com sua linha argumentativa em consonância com a tese de Laval (2019) sobre a mercantilização da educação. Os estudos revelaram que o tema é emergente,
com foco na precarização da educação e do trabalho docente, favorecendo a hipótese de que as influências políticas neoliberais na educação possibilitam o capitalismo de dados pelo próprio governo do estado, que usa destes para regular o trabalho do professor e até como justificativa injustificável, para a privatização de escolas estaduais. Em resumo, diversos estudos apontam que a plataformização da educação contribui para um sucateamento tanto do ensino dos estudantes, quanto do trabalho dos professores, uma vez que o primeiro se torna apenas um "clicador", e o segundo, um aplicador de conteúdo pronto, sem autonomia na elaboração do material de ensino. Portanto, esse cenário de evidente precarização pode ser entendido como uma colonização da educação pela esfera privada, apontado como resultado da corrente neoliberal que se perpetua atualmente,
apontando como grave ameaça à educação pública de acordo com a noção de educação libertadora defendida por Freire (1970), e a educação pela perspectiva CTS articulada por Linsingen (2007).